O Segundo Advento

O Apocalíptico Fundamentalista

Em nosso tempo, dois grupos de cristãos afirmam que podemos estar (e provavelmente estamos) vivendo nos Últimos Dias. Por um lado, há um grupo considerável de Fundamentalistas Protestantes que proclamam em voz alta o retorno iminente do Jesus físico. Em outro lado estão os cristãos Unificacionistas que também ensinam que a consumação da história pode ocorre em nosso tempo. No entanto, porque há significativas diferenças entre a mensagem Fundamentalista e os ensinamentos do Princípio Divino, é importante não confundi-los.

Protestantes Fundamentalistas, como Hal Lindsey, defendem uma interpretação pré-milenar da Bíblia. 1 Quais são as características essenciais desta teologia apocalíptica? Primeiro, quando Jesus retorna, ele estabelecerá um reino terreno. Ao reinar como o rei messiânico, ele estabelecerá uma ordem social ideal na qual haverá completa paz, retidão e justiça.

Segundo, o reaparecimento de Jesus em forma corporal ocorrerá de forma repentina e dramática. Por causa de uma série de estupendos eventos sobrenaturais que anunciarão a Parusia, o retorno de Cristo será prontamente observável por todos. Os incrédulos reconhecerão imediatamente que o milênio chegou como resultado de seus acontecimentos miraculosos.

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Sinais dos Tempos

Ajuda do Alto

A vasta maioria dos cristãos – com exceção dos Protestantes da Reforma 10 – sempre tem acreditado que existe comunicação regular entre os habitantes do mundo espiritual e as pessoas na terra. Na medida em que os antropólogos podem determinar, esta crença na interação regular destas duas dimensões da existência tem sido um dos mais antigos itens da fé dos homens. Essa crença pode ser encontrada na antiga Pérsia, Índia, China, América do Sul, Egito e Europa. 11 Como resultado de estudos modernos da experiência paranormal e pesquisa física, um número crescente de cristãos liberais também tem aceitado a verdade básica desta antiga fé. 12

Mas por que ocorre essa comunicação entre estas duas realidades? Católicos e Ortodoxos do Oriente diriam que oram a Santo Antônio, São Francisco ou a mãe de Jesus por inspiração, orientação e auxílio prático em sua peregrinação de fé. De acordo com o Princípio Divino isto também é verdade: nós na terra podemos ser grandemente assistidos pela ajuda pessoal a partir do mundo espiritual. Contudo, o Princípio Divino dá outra explicação geralmente negligenciada no pensamento cristão tradicional. O princípio de criação afirma que uma alma humana somente pode crescer até a perfeição em conjunção com seu próprio corpo físico nesta vida, ou mais tarde através de cooperação com pessoas na terra. Deste modo, homens espirituais que não alcançaram a perfeição devem descer para trabalhar com pessoas de missão semelhante a fim de concluir seu processo de restauração. 13Consequentemente, em pontos cruciais na história da salvação ocorre uma proliferação de fenômenos físicos. Isto explica porque o Evangelho de Mateus relata que após a morte de Jesus, muitos 14 “fantasmas” foram vistos na cidade de Jerusalém (27:52-53). Por uma razão semelhante, as antigas congregações cristãs estavam cheias com os dons espirituais de falar em línguas, profecia, milagres de cura, transes e visões de êxtase. Em um momento de grande significado na obra providencial de Deus, espíritos desencarnados descem para a terra para cooperar na realização do propósito divino. Ao fazer isso, eles são capazes de fazer rápidos avanços em seu próprio crescimento. 15

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A Necessidade de Liderança

De acordo com o Princípio Divino, aquele que irá conduzir o ministério do segundo advento será um homem como Jesus. Como ele afirma, “é absolutamente incompreensível ao intelecto de homens modernos que o Senhor viria sobre as nuvens.” 28 A maioria dos teólogos, muitos pensadores cristãos nas maiores denominações e dezenas de milhões de pessoas atualmente que estão alienadas do Cristianismo tradicional no ocidente acham incrível a noção Fundamentalista que Jesus ascendeu de forma corpórea para um céu físico onde viveu por 2.000 anos, e a partir do qual descerá flutuando até a terra nas nuvens. 29 Esse tipo de crença não tem sido pregada em muitas denominações há pelo menos um século. Poucos teólogos se preocupam em mencionar essa noção tão pitoresca, e menos ainda perderiam tempo tentando defendê-la. Consequentemente, os Católicos Romanos têm sido aconselhados pelos teólogos do Vaticano que a crença no 30 retorno físico de Jesus não é exigida dos fiéis.

Entretanto, a maioria dos cristãos que desiste da noção obsoleta que Jesus está voltando está inclinada a ignorar o valor duradouro da esperança do milênio. Liberais, por exemplo, substituem a esperança na vinda de Cristo com fé no espírito sempre presente. Cristo está sempre conosco, nos guiando e inspirando os homens de boa vontade. Ele opera através de seu novo Corpo, a Igreja. Cristo está especialmente presente quando a Eucaristia é celebrada, declaram religiosos sacramentalistas. No caso de Protestantes evangélicos, eles insistem que Cristo está para sempre batendo na porta do coração humano porque ele quer residir para sempre na alma nascida duas vezes do indivíduo.

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Onde Ele Virá?

Até agora, temos indicado como convergem a teologia da Unificação e outras tendências do pensamento cristão contemporâneo. O próximo passo parece bastante surpreendente. O Princípio Divino sugere que o instrumento humano escolhido por Deus para a criação da era vindoura aparecerá na Coreia. Esta afirmação pode ser difícil de aceitar no primeiro momento, e tem sido repetidamente ridicularizada. O Princípio Divino não é simplesmente um produto do nacionalismo coreano, como os críticos têm alegado?

Para entender esta parte da teologia da Unificação, pode ser útil recordar alguns ensinamentos bíblicos básicos. Primeiro, Deus é criador de todos os homens, assim, nenhuma nação é automaticamente indigna de ser Seu agente escolhido. Segundo, desde a época de São Paulo, os cristãos geralmente se recusavam a restringir o povo escolhido aos judeus. Terceiro, se Deus é soberano, então Ele é livre para fazer o que bem entender, a fim de realizar Sua vontade. Barth especialmente nos lembrou desta liberdade divina. Todas estas afirmações Judeu-Cristãs fundamentais devem provar que não é intrinsicamente impossível para Deus escolher um coreano.

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